Lance 1 · A Abertura

Pesquisa de audiência para lançamento: o que perguntar antes de escrever qualquer coisa

A melhor copy do seu lançamento já foi escrita. Ela está espalhada em comentário, DM e resposta de caixinha, esperando alguém ler com atenção.

A headline que não vem

Você senta pra escrever a página de captura e trava na primeira linha. Escreve uma versão, lê em voz alta, apaga. Escreve outra que parece as mesmas palavras de sempre. Depois de quarenta minutos você tem seis títulos medianos e a sensação de que nenhum deles é o certo, sem conseguir explicar por quê.

O que está acontecendo ali não é bloqueio criativo. É falta de matéria-prima. Você está tentando adivinhar qual frase faz a sua audiência parar o dedo, quando essa frase já foi dita por ela, várias vezes, em lugares que você tem acesso e não olhou. Escrever de dentro pra fora é o caminho mais longo que existe.

E tem uma coisa pior escondida nesse travamento. Quando o título finalmente sai, ele costuma sair do lugar mais perigoso possível: do que você, que domina o assunto, acha importante. Especialista pensa em solução. Quem está do outro lado ainda pensa em sintoma.

O que perguntar, em resposta curta

Pesquisa de audiência para lançamento não é um formulário, são quatro. Cada uma pergunta pra um grupo diferente, num momento diferente, e responde uma decisão diferente do plano. Perguntar pra todo mundo a mesma coisa ao mesmo tempo é o jeito mais rápido de terminar com trezentas respostas e nenhuma direção.

O que você procura em qualquer uma delas é sempre a mesma coisa: a palavra que se repete. Não o resumo educado do problema, mas o jeito torto e específico como as pessoas descrevem a dor quando ninguém está corrigindo elas. Quando cinco pessoas que não se conhecem usam a mesma expressão pra descrever o mesmo travamento, você achou a linguagem do seu lançamento. Essa expressão vai pro título, pro anúncio e pra abertura da primeira aula, sem enfeite.

Isso é o primeiro movimento da fase de concepção, e o raciocínio inteiro dela está em como planejar um lançamento digital a partir da leitura do público.

A sua audiência já escreveu a melhor copy que este lançamento vai ter. Pesquisar é só ter o trabalho de ler.

Quatro pesquisas, quatro decisões diferentes

A separação abaixo não é preciosismo. Ela existe porque cada grupo enxerga o problema de um ponto do caminho, e misturar os pontos produz uma média que não corresponde a ninguém.

As quatro acontecem em momentos distintos do calendário, e duas delas nem existem antes do evento começar. Onde cada uma se encaixa na sequência está no mapa das seis fases, em como planejar um lançamento digital.

A audiência: por que essas pessoas te seguem

Decisão que ela alimenta: qual promessa soa verdadeira na sua boca. Uma promessa desconectada do motivo pelo qual as pessoas te acompanham gera desconfiança mesmo quando é boa, porque ela não bate com a imagem que já existe de você.

É a pesquisa mais fácil de rodar e a mais fácil de ler errado. Ela mostra desejo, não capacidade de compra. Serve pra calibrar tom e tema, não pra definir ticket.

Quem já comprou: o rosto de quem vai comprar

Decisão que ela alimenta: pra quem a oferta é desenhada. Aqui você não pergunta o que a pessoa quer, pergunta o que ela viveu. Em que momento ela estava, o que quase impediu a compra, o que ela achou que ia acontecer e não aconteceu.

Se você nunca vendeu nada, esse grupo ainda existe em outro formato: as pessoas que já pagaram por algo seu, mesmo que barato, ou que investiram tempo alto em algo seu de graça. Compromisso é o que define o grupo, não o valor.

Quem se inscreveu no evento: o nível de consciência real

Decisão que ela alimenta: a profundidade de cada aula. Se a maioria da sala ainda está travada no problema e o seu evento já começa falando de ferramenta, você perde a sala no primeiro dia e não recupera.

Essa pesquisa é curta de propósito e mora no formulário de inscrição ou logo depois dele. Uma ou duas perguntas de perfil bem escolhidas viram um raio-x de quem está entrando, e esse raio-x chega a tempo de ajustar o evento.

Quem assistiu e não comprou: a objeção verdadeira

Decisão que ela alimenta: a reabertura, o próximo passo de oferta e o ciclo seguinte inteiro. É a pesquisa mais informativa das quatro e a que quase ninguém roda, porque ela acontece no momento de menor ânimo do projeto.

Preço quase nunca é a resposta verdadeira, mesmo quando é a resposta dada. Preço é o jeito educado de dizer que o valor não ficou claro, ou que a pessoa não se viu conseguindo. Ler isso separando o que foi dito do que foi significado é metade do trabalho.

Por que os grupos discordam entre si

Tem um padrão que aparece em praticamente todo projeto onde as duas primeiras pesquisas são rodadas separadas: a audiência ampla pede uma coisa e quem já comprou aponta outra. E não é contradição, é geografia. São grupos parados em pontos diferentes do mesmo caminho.

Num projeto que revisei, a audiência ampla pedia com todas as letras conteúdo sobre organização e rotina. Era o tema mais votado, com folga. Quem já tinha comprado descrevia outra história: chegaram pelo tema de rotina, mas o que fez pagar foi a promessa de cobrar mais caro sem perder cliente. A promessa da captação e a promessa da oferta não podiam ser a mesma frase, e tratar as duas como uma só era o que estava sendo planejado.

O critério que uso pra decidir de quem escutar mais é o seguinte: a audiência ampla manda no que atrai, quem já comprou manda no que vende. Quando os dois apontam pra lugares distantes demais, a distância entre eles vira o trabalho do evento. Quando apontam pro mesmo lugar, o projeto é mais simples do que parecia. Saber qual dos dois cenários você tem antes de escrever a primeira linha muda o calendário inteiro.

A audiência manda no que atrai. Quem já comprou manda no que vende.

Três sinais de que a pesquisa foi mal feita

Pesquisa ruim não parece ruim. Ela parece produtiva, porque tem gráfico, planilha e volume de resposta. Os três sinais abaixo aparecem antes de você escrever qualquer copy, e são fáceis de checar.

  • Nada nas respostas te incomodou. Se todo mundo confirmou o que você já pensava, a pergunta estava enviesada ou o grupo era pequeno demais pra ter divergência. Pesquisa boa sempre derruba pelo menos uma certeza.
  • As respostas vieram no seu vocabulário. Quando as pessoas devolvem os mesmos termos técnicos que você usa nos posts, você não ouviu a audiência, ouviu o próprio eco. O achado tem que soar estranho na sua boca.
  • Você não consegue nomear a pessoa por trás da resposta. Se o resultado é uma média genérica, sem rosto e sem situação concreta, a pesquisa produziu estatística e não direção. Uma frase específica de uma pessoa real vale mais que a porcentagem de trezentas.

Onde isso costuma quebrar

A quebra número um é perguntar depois de ter decidido. A pessoa já escolheu a promessa, já reservou a data, e roda a pesquisa procurando confirmação. Aí o formulário nasce torto, com perguntas que só admitem a resposta que ela quer ouvir, e o resultado vira carimbo. Pesquisa que valida decisão tomada não é pesquisa, é cerimônia.

A segunda é perguntar bem e não ler. É mais comum do que parece. As respostas chegam, a pessoa dá uma olhada rápida, extrai três temas gerais e volta a escrever da própria cabeça. Ler pesquisa dá trabalho porque as respostas se contradizem, e contradição cansa. Só que é exatamente na contradição que a informação boa mora.

A terceira é transformar o achado em pergunta de múltipla escolha cedo demais. Múltipla escolha é ótima pra medir quanto, e péssima pra descobrir o quê. As primeiras rodadas precisam ser abertas, com a pessoa escrevendo do jeito dela. Fechar as opções antes de saber quais são elas é entregar o resultado antes de perguntar.

Tem uma quarta, silenciosa, que aparece só na fase seguinte: pesquisar bem e escolher a isca por outro critério. O achado indica um tema, mas o tema vizinho converte mais barato, e a captação vai pelo mais barato. Como isso termina está descrito em isca digital para lançamento, e é o mesmo mecanismo que aparece em boa parte dos casos de lançamento que flopa com audiência grande.

Onde este estudo para

Perguntar é a parte pública dessa história, e é pública porque é a parte fácil. Você consegue montar os quatro formulários, escolher os grupos, rodar e receber as respostas sem ajuda nenhuma. E deve fazer isso antes de escrever qualquer linha de copy.

O que não sai daqui é a régua de leitura. O que fazer quando a audiência ampla e a faixa compradora apontam pra promessas diferentes, onde cortar entre o que atrai e o que vende, quanto peso dar pra uma frase repetida por cinco pessoas contra um tema votado por cem, e quando a divergência entre grupos significa que existem dois produtos ali e não um.

Essa leitura depende do seu ticket, do tamanho da sua lista e da distância entre os dois grupos no seu caso específico. É onde a pesquisa vira decisão, e decisão não tem versão genérica. A captação que nasce dessa leitura é o assunto do lance seguinte, que é a captação de leads feita como convite.

Perguntas diretas

Dúvidas sobre pesquisa de audiência lançamento

Quantas respostas eu preciso pra pesquisa valer?

Menos do que a maioria imagina. Pra pesquisa aberta, o padrão começa a aparecer entre trinta e cinquenta respostas bem escritas, e a partir daí você passa a ouvir repetição em vez de novidade. Quantidade grande ajuda a medir proporção, não a descobrir a linguagem. Cinco respostas específicas valem mais que trezentas genéricas.

Posso pesquisar pelos stories em vez de formulário?

Pode, e é uma boa porta de entrada, mas resolve só metade. Caixinha e enquete pegam volume e reação rápida, com viés forte de quem já está mais engajado. Resposta longa e escrita, onde a pessoa descreve a situação dela com as próprias palavras, é o que produz a frase que vai pro título. Use os stories pra recrutar e o formulário pra colher.

E se eu ainda não tenho audiência pra pesquisar?

Aí a pesquisa muda de formato, não some. Conversa direta com dez ou quinze pessoas do perfil que você quer atender, mesmo que fora da sua rede, produz material melhor que formulário com lista fria. O que você procura é a descrição do problema em linguagem natural, e isso se colhe em conversa também.

Preciso refazer a pesquisa a cada lançamento?

A pesquisa de audiência e a de quem comprou envelhecem devagar e podem ser atualizadas em vez de refeitas. As duas de dentro do ciclo, a de quem se inscreveu e a de quem não comprou, precisam ser rodadas toda vez, porque elas medem o estado daquela sala específica e é isso que calibra o evento e a reabertura.

Seu lance

Já perguntou e não sabe o que fazer com as respostas?

O Primeiro Lance é um diagnóstico de 30 minutos, sem custo. A gente lê o que a sua audiência devolveu e separa o que atrai do que vende.

O Primeiro Lance

Diagnóstico de 30 minutos, direto ao ponto: onde seu lançamento para de pé e onde ele cai. Sem pitch escondido. Se não fizer sentido, o diagnóstico fica de presente.

Agendar o Primeiro Lance (abre o WhatsApp)

Pra quem tem audiência e quer lançar ou relançar do jeito certo.

O lance completo Lance 1 · A Abertura
Agende o diagnóstico